"COLETADOS" - Exposição de Objetos de Arte - Junho de 2017

Material da divulgação da Exposição - Arte e Foto: Rubem Pontes




Durante algum tempo, como cenógrafo, tive o prazer e a obrigação de trabalhar com materiais reciclados em minhas produções ou nas que eu fui convidado a participar. A releitura e reciclagem de cenários são atributos naturais e até considerados necessários no trabalho em cenografia. No caso de realizações para televisão ou em uma produtora de vídeos com grande volume de demandas, o objetivo principal com a reciclagem é baixar os custos de produção na confecção e na montagem de cenários. Em outras produções, a necessidade vem de uma apropriação estética mais de acordo com a ideia da Direção de Arte ou da Direção do Espetáculo. Essas apropriações foram os mais felizes resultados estéticos com esse processo obtive no teatro, dentre outras mídias.

 

A diversidade de coisas e materiais que ficam à disposição do cenógrafo durante o processo criativo, que geralmente acaba extrapolando o projeto inicial é grande: restos e sobras de outros cenários, material descartado, resíduo de obras, móveis velhos, sobras de confecção de roupas, etc.


Sendo a cenografia, em uma visão aceita por vários cenógrafos e estudiosos da Arte, uma espécie de arquitetura efêmera, ela adquiriu, também, uma responsabilidade ecológica e de sustentabilidade. Os espaços provisórios surgem e se acabam em uma velocidade determinada pelo objetivo do projeto. Os materiais e os elementos visuais, são desfeitos rapidamente. Várias são as situações em que toda a estrutura pode ser reaproveitada, principalmente panos de fundo e diversos outros drapeados. Paredes divisórias e estruturas de madeira e ferro utilizadas na sustentação, podem integrar dezenas e dezenas de montagens. Quanto mais vezes o cenógrafo puder usar o mesmo material, estará, de forma objetiva, diminuindo a produção de resíduos e a necessidade de produção de novos e mais materiais.





"Objeto Nº 1" - Madeira e Ferro - (2017). Obra e Foto: Rubem Pontes 




Na parede, esquerda para direita, "Objeto nº 2", "Objeto nº 3" e "Objeto nº 4" - (2017). Sobre o baú o "Toco de Ogúm" - (2017).  Obras e Foto: Rubem Pontes.




A Exposição

 

Luiz Hosken, Barista/Diretor/Proprietário do "Espaço Hosken Barista", convidou-me para a abertura da segunda temporada de exposições de 2017 dentro dos eventos culturais do espaço, isso alguns dias após eu realizar uma performance individual com foco na “Arte Orgânica”, na Ilha do Sol na baía de Guanabara, São Gonçalo/RJ. A ideia e o prazer gerado por trabalhar com materiais descartados pela própria natureza, ainda fervilhava nas minhas mãos e na minha cabeça. Não foi possível pensar em outra coisa que não fosse produzir algo que fosse na mesma linha e direção. 

 

Não me foi cobrado obras inéditas e, na verdade, a exposição era toda minha. Em um espaço relativamente pequeno, não seria esforço reunir obras interessantes de meu acervo pessoal para compor uma exposição, mas, eu queria apresentar algo inédito, algo que nem eu havia visto dentro dos meus trabalhos.  

 

Ao acabar a primeira reunião de trabalho com Luiz, já entrei em frenesi e na busca dos elementos que iriam integrar as obras foi imediata. A semente criativa guardada dentro de cada ser humana, principalmente no artista, precisa apenas da oportunidade dada para ser germinada. Não existe um controle absoluto nesse processo, apenas, necessidade. Esse, ou nesse, “descontrole” que o estilo de arte tida por alguns como “Arte Orgânica”, me dá um contato mais direto com a natureza e seus elementos, me fazendo reconhecer que não temos controle total sobre os resultados. Isso é um aprendizado. Romper com amarras instituídas e ter a total de liberdade e atrevimento na criação, esse foi o processo criativo dessa montagem. 

 

Obras

 

Foram apresentadas 04 (quatro) obras inéditas e 01 (uma) já exposta.

 

- 04 (quatro) objetos para parede:

 

"Objeto nº 1", "Objeto nº 2", "Objeto nº 3" e "Objeto nº 4". 

 

Todas as peças foram confecionadas em madeira e ferro. Alguns materiais estavam em obras abandonadas e outros em pequenos bosques. Todos foram colhidos na cidade de Niterói, principalmente, no bairro de Fonseca. O "Objeto nº 1" recebeu fios de arame galvanizado em um processo de amarra de uma peça de madeira desenterrada. 

 

A obra "Toco de Ogúm" já havia sido apresentada em exposição coletiva anterior (Salve São Jorge - 2017), no mesmo ano, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Essa peça foi criada com uma temática religiosa e foi parte integrante de um manifesto artístico coletivo para homenagear o santo católico São Jorge. Ela foi concebida antes de todo esse processo, até mesmo da performance na ilha do Sol. Mas, ela estava de acordo com tudo aquilo que eu queria expor.

 





Na parede, "Objeto nº 1" - (2017).  Obra e Foto (self): Rubem Pontes.




 "Objeto nº 4" - (2017). Sobre o baú o "Toco de Ogúm" - (2017).  Obras e Foto: Rubem Pontes.




O "Espaço Hosken Barista" está localizado a Avenida Rio Branco no número 633/702, Centro de Niterói (RJ), próxima a Estação das Barcas e ao lado do DCE da Universidade Federal Fluminense. A Exposição "COLETADOS" foi programada para todo o mês de junho de 2017, sendo prorrogada até o final mês de julho a pedido da Direção do espaço. Os visitantes eram recebidos diariamente de 15h00 as 21h00, sendo que as quintas-feiras, as visitas eram acompanhadas da presença do artista. Esses encontros também eram acompanhados de rodas de conversas sobre o processo da exposição e história da Arte em geral.

No dia 06 de julho, abertura da segunda etapa da exposição, foram realizadas duas palestras no espaço. Realizei a primeira, as 17h00, com o título: "Arte Orgânica e os Coletados". Na sequência do programa, o barista Luiz Hosken apresentou: "História e Lendas do Café pelo Mundo".




Material da divulgação da Exposição - Arte e Foto: Rubem Pontes



Comentários

Postagens mais visitadas