Na Ilha do Sol: “Permanências e Desconstruções” – 2016





No dia 04 de junho de 2016, um sábado, fui convidado pelo meu amigo Ronald Duarte a presenciar sua participação no evento "Permanências e Desconstruções!" na Ilha do Sol, em meio a baía da Guanabara (próxima a Ilha de Paquetá). 
A pequena ilha foi durante anos a residência da artista Dora Vivacqua (1917 – 1967) - atriz, naturista, feminista, escritora, dançarina. Dora era mundialmente conhecida por suas ousadas coreografias/performances se apresentando com o nome artístico de “Luz del Fuego”. Uma mulher liberta de vários padrões de sua época e muito a frente do seu tempo, “Fuego” tornou-se uma figura mítica na cidade do Rio de Janeiro com sua dança e com a fundação do primeiro reduto naturista do Brasil, na ilha. 
Após o brutal assassinato da artista aos 50 anos de idade, no local, a ilha do Sol volta a ficar vazia, desabitada. A casa, residência de “Fuego”, ainda resiste precariamente aos efeitos do tempo e do total abandono. Instavelmente as paredes e lajes resistem deixando poucas lembranças do que um dia foram. 




Vista do interior das ruínas da casa de Luz del Fuego na Ilha do Sol 
(Fotos: Rubem Pontes)



A ocupação/performance na ilha do Sol deu a largada para a segunda edição de “Permanências e Destruições” do Programa de Arte Pública do Oi Futuro (permanenciasedestruicoes.com.br). Além da apresentação de Ronald Duarte, participaram da ocupação/performance Aleta Valente e Jonas Arrabal.  Para o ano de 2016, João Paulo Quintella (curador do evento), atribui a escolha da ilha do Sol (e outros locais) como conceito a “espaços que não só estivessem em estado de abandono, mas que tivessem múltiplas camadas de interpretação, colocando um embate entre realidades”. A pauta do evento já começa a ser discutida com o acesso a ilha. Chegar ao local é debater as águas da baía de Guanabara como um território que foi uma via para a genesis da cidade do Rio de Janeiro. Hoje, próxima de um esgotamento total, a baía definha. 





Vista da Ilha do Governador (Rio) da Ilha do Sol (Foto: RubemPontes)



Aleta Valente: apresentando-se como “Ex-Miss Febem”, carioca de Bangu, a Artista Visual, possui formação pratica teórica na Escola de Artes Visuais do Parque Laje e na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A artista usa como plataforma de divulgação de seus trabalhos (fotos) o Instagram (https://www.instagram.com/ex_miss_febem2/). A temática levantada através da personagem de Aleta vai aos questionamentos do preconceito em relação as estéticas das periferias (origem da artista) fundamentadas nas posições assumidas em composição nas fotos.




Ronald Duarte: nascido em Barra Mansa (RJ) no ano de 1963, o artista vive e produz na cidade do Rio de Janeiro. O seu atelier no bairro de Laranjeiros é referência de produção de “objetos artísticos” e elaboração de performances impactantes para com a conformidade estética da Arte carioca atual. O artista, dentre outras formações, vem da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre graduação e pós-graduações, seu nome na Escola é marcado pelo conjunto de sua obra e na entrega pessoal a criação de uma cena artística contemporânea no Programa de Pós-Graduação da EBA.




A obra de Ronald Duarte (Foto: Rubem Pontes)




Jonas Arrabal: nasceu em 1984 na cidade de Cabo Frio (RJ), vive e trabalha na cidade do Rio de Janeiro. Um Artista Visual que baseou sua pesquisa acadêmica na reflexão sobre o desaparecimento, tempo, memória e ruína, trazendo uma convergência a produção cinematográfica de Andrei Tarkovski, refletindo sobre a obra de Beckett e P. Handke. Teve sua titulação em Mestre pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.





Barcos  utilizados na obra de  Jonas Arrabal 
(Foto: Rubem Pontes)




Texto: Rubem Pontes
“O texto e conteúdo dessa matéria foram retirados do meu antigo blog que, por problemas técnicos, ficou inviável a atualização. Por um critério de relevância e importância, selecionei algumas matérias e artigos, umas minhas outras não, para uma revisão e republicação.”

(Primeira publicação: junho de 2016. Revisão e republicação: janeiro de 2020)

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