Performance: "Chama da Paz!" - Rio de Janeiro - 2003
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| Performance: "Chama da Paz!", Aterro do Flamengo - Rio de Janeiro - 2003 |
Em junho de 2003, fui convocado por André Porto, produtor cultural da ONG Viva Rio, para dar início a uma empreitada desafiadora. Já a alguns anos eu vinha produzindo material artístico para diversos eventos relacionados a campanha do desarmamento no Viva Rio em caráter free-lancer, essa convocatória era oportunidade para uma nova ação.
André ressaltou a importância de gerar o máximo de impacto visual com essa performance, precisávamos criar uma estratégia de produção de efeito embasada e eficiente. Sendo uma pessoa cercada de muita espiritualidade, o produtor sugeriu a utilização de algum elemento fundamental no projeto: Terra, Água, Ar ou Fogo. Pesquisamos e encontramos manifestações artísticas em protesto contra a venda e porte de armas de fogo em diversas partes do mundo, mas, nos chamou a atenção algumas ocorridas na Oceânia. Dentro dos preceitos de purificação através dos elementos, tema também pensado por nós, armas estavam sendo incendiadas em eventos públicos com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). O link era perfeito! Selecionado o elemento, o fogo, dei inicio a elaboração da parte material do projeto!
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| Foto divulgação site oficial do Viva Rio |
Alguns meses antes a essa pesquisa, o Viva Rio formou parceria com Governo do Estado (através da Secretaria de Segurança Pública) e o Exército Brasileiro para destruírem em público 4.158 armas, em grande evento. Depois da realização de algumas reuniões com esses órgãos públicos, foi fechado o aterro do Flamengo, cidade do Rio de Janeiro, para realização dos atos em público.
Próximo a Praça Paris, seria montado um grande tapete com armas e um rolo compressor do Exército passaria sobre as mesmas diversas vezes inutilizando-as. Em frente ao Monumento dos Pracinhas, foi o espaço determinado para o ato envolvendo o fogo. Buscando inspiração na forma do monumento, que tem duas mãos ladeadas clamando aos céus por paz, ofereci uma ideia estética oposta, uma inversão da forma para que pudesse ser colocada a frente do grande monumento e formando, em perspectiva, uma unidade.
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| Foto divulgação site oficial do Viva Rio |
No pátio de uma das casas do Viva Rio, na Glória, construi a estrutura de 3 metros de altura, com tubos de ferro soldados por equipamento elétrico. A madeira – para o fogo – seria colocada na parte interna da peça e as armas de fogo amarradas com arame galvanizado por toda a volta. Foi estimando o uso de 1.000 armas, o Exército forneceu apenas 400. A peça foi levada ao local de caminhão e colocada sobre uma placa de metal coberta de areia. As armas foram amarradas uma a uma, após a preparação do material interno para queima. Restos de madeira de obras e algodão embebido em tiner serviram como base de combustão.
Ao objeto demos o nome de “Fogueira da Paz” e ao ato “Chama da Paz”!
O fogo foi ateado pelo coordenador geral do Viva Rio e sociólogo, Rubem César Fernandes e pelo governado em exercício no Estado do Rio de Janeiro Anthony “Garotinho”.
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| Foto divulgação site oficial do Viva Rio |
Segundo o sociólogo do Viva Rio, Antônio Bandeira, o ato foi uma demonstração de que o Rio de Janeiro é contra as armas. "A proliferação de armas agrava a criminalidade e a letalidade dos crimes", disse Bandeira. A destruição das armas ocorreu no momento em que o Congresso Nacional discutia a modificação da lei sobre a comercialização e o controle de armamentos no país. A mudança encontrou resistência da chamada "bancada armada" ou “da bala”, que defende o interesse da indústria de armas e bélica nacional e internacional. "Esse é um lobby muito forte. A "bancada" está conseguindo paralisar a reforma no Congresso. Contudo, a violência chegou a um nível tão elevado que há uma sensibilidade entre os parlamentares, sabem que é preciso fazer algo. O melhor caminho é restringir a venda de armas no país", declarou o sociólogo.
“A violência no Brasil faz com que muitos pensem em se armar como forma de se proteger, mas as evidências mostram que armas de fogo são ótimas para ataque e péssimas para defesa. Na maioria absoluta dos casos quem reage a assaltos acaba morrendo, e armas dentro de casa servem quatro vezes mais para causar acidentes, assassinatos e suicídios do que para de fato oferecer proteção.” http://vivario.org.br/controle-de-armas/
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| Foto divulgação site oficial do Viva Rio |
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| Foto divulgação site oficial do Viva Rio |








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